Victory Road to Indigo Plateau

Enfim, nasceu: Pug Records apresenta… Elite dos 4, reunindo inéditas da Sereno, planetária, Não Übermensch e the breakup suite, já está na praça. 💜

Para ler:
http://database.fm/sereno

Para ouvir:

Esperamos que curtam!

Pug Records apresenta… Elite dos 4

No início de dezembro, aos 45 do segundo tempo de 2019, chega na praça nosso novo lançamento: Pug Records apresenta… Elite dos 4, uma coletânea em K7 e digital com sons inéditos da Sereno, além de gravações da Planetária, Não Übermensch e the breakup suite.

Arte de capa da Momorsa!

Para quem não tem medo de spoiler, já dá para ouvir uma provinha:

Roque é roque mesmo

Tiramos a poeira da câmera para filmar os shows do Vidro (da Suécia), do Clan dos Mortos Cicatriz e do Whipstriker em VHS. Mil barulhos na capital carioca. Tudo fica mais legal em lo-fi. 📼

Para conferir, é só seguir pro YouTube:

Também estamos terminando um monte de novidades da Sereno, mas a gente sempre encontra ideia nova para se ocupar hahaha.

(ouvindo: Missalina Rei – “桜花乱舞”)

 

From Chile with Love

Preparei uma mixtape para o EndingverseRadio, programa de rádio chileno do amigo Jose Wolleter. É uma mistureba de velhos favoritos e coisas que tenho escutado recentemente, desde a abertura do anime Galaxy Express 999 até os sarados do metal profano Blasphemy.

Você pode ouvir no Spotify ou em: https://anchor.fm/endingverseradio

Aqui a playlist completa:

  • Isao Sasaki & Suginami Children’s Choir – “Galaxy Express 999”
  • The Flying Luttenbachers – “Goosesteppin'”
  • Blasphemy – “Ritual”
  • GASTUNK – “LEATHER SHIP”
  • Katsurei – “Midori iro no honō”
  • Julian Cope – “Me Singing”
(ouvindo: Michael Schenker Group – “Into the Arena”)

Maximum Rocknroll 1982-2019

“… someone told me you people are crazy,
but I’m not so sure about that.
You seem to be all right to me”
(Lux Interior, The Cramps: Live at Napa State Mental Hospital)

MRR_SERENO_FITAS

Onde você estava quando ouviu a notícia de que a Maximum Rocknroll encerraria sua publicação impressa após as três edições seguintes? Bem, eu recebi ‘O E-Mail’ no fim da tarde de 13 de janeiro e conciliar a ideia de que algo que amo vai chegar ao fim tem se provado um pouco difícil, como a morte de um ente querido.

A partir de abril, a Maximum Rocknroll, fundada em 1982 por Tim Yohannan, deixa de circular em sua versão impressa. Aos leitores, restará apenas um futuro ainda incerto via internet e a continuidade dos programas de rádio. Para os shitworkers que administram a publicação nos últimos anos, trata-se de um passo rumo a um futuro mais estruturalmente viável, mas para muitos punks a iniciativa é morte do mais importante zine de todo o mundo.

Como encapsular a importância de uma entidade que foi uma das maiores influências nas sua maneira de encarar a vida? Uma instituição que moldou quem você é hoje e será sempre seu porto seguro? Receber o envelope com o endereço de São Francisco e sujar os dedos de tinta a cada virada de página eram a prova visceral e física de que as ideias que acredito têm um lugar no mundo. Meu próprio tinnitus manifestado em papel jornal.

Um dos colaboradores mais antigos, Brian Edge, escreveu algumas palavras sobre o punk como um movimento para a reedição do número 4 que se aplicam ao que sinto pela MRR:

“This was something real, something that didn’t fold under the pressure of conformity. This was about fighting back. This was giving a name and a soundtrack to dissatisfaction, anger, confusion, and pure, raw, unfiltered emotions. I stopped caring about wanting to fit in with ‘everyone else’, I didn’t have to be like the rest of the world — I could just be me, no more worrying, no more self-consciousness, no more bullshit.”

Ler essas últimas edições tem sido um longo adeus, e não poderia ser diferente. A sessão de cartas e as colunas foram inundadas por reminiscências, agradecimentos e alguns socos no estômago — em especial, a carta de três página da ex-coordenadora Joan DeToro detalhando todos os problemas que encontrou no cargo.

Para a Sereno, a edição #431, a penúltima, foi especialmente agridoce: o nosso segundo EP, Desapegos e Previsões de Morte, ganhou uma resenha elogiosa do Greg Harvester (The Grumpies, Neon Piss, Silent Era) no meio de um monte de discos de hardcore. É a segunda vez que a banda aparece na publicação. Somente na MRR dois fodidos de São Gonçalo recebem essa atenção.

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Vida longa a Maximum Rocknroll.

(ouvindo: MRR Radio #1542 • 1/29/17)

Seja Punk Mas Não Seja Burro #01

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Existem improbabilidades da vida, e existe estar no mesmo zine que o Charlie Brown Jr haha. No carinho do envelope direto de Juiz de Fora, recebemos a primeira edição do SEJA PUNK MAS NÃO SEJA BURRO, criado pela database.fm. A nossa música “Ainda Tenho Meus Sonhos Intactos”, do EP Desapegos e Previsões de Morte, apareceu entre as melhores de 2018 publicadas nessa edição inaugural. Honra demais.

Também ganhamos o número dois do No Lost Grrrls, que foi criado pela Liz Möller do Olympia Tennis Club. Tão caprichado quanto tudo o que ela faz. Ambos zines obrigatórios para quem acredita no faça-você-mesmo.

Procure saber:
Papelote Press
database.fm
No Lost Grrrls

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(ouvindo: Morbid Angel – “Hymn to a Gas Giant”)

Desapegando de 2018 com 50 discos

Nem que fosse iluminado por uma certeza mística, tal qual um Daciolo da futurologia em transe, poderia prever que o título Desapegos e Previsões de Morte falaria tanto assim sobre o nosso 2018 . Foram doze meses de muitas turbulências e realizações, e o ano que vem não parece que será muito mais calmo.

Seguindo a tradição, reunimos aqui os discos dos últimos doze meses que trilharam todas essas surpresas. Tentamos fazer a lista da maneira mais didática possível, pois lançar um monte de nomes sem dar nenhuma descrição nos parece inútil.

Claro que música não é campeonato de tênis, para ter ranking. Mas acreditamos que uma hipotética lista dos grandes discos desse ano não poderia deixar esses daqui de fora. A relação está numa ordem bem vaga de preferência. Esperamos que encontre algo para você!


Reckling – Reckling
(Burger Records)
Califórnia, EUA l indie rock, surf punk
Para fãs de: The Squirmers, Tiger Trap

Essa pequena joia (mal batendo a marca de 25 minutos) da fundadora da Wink and Spit Records contém as músicas mais cativantes que você pode encontrar. Se gosta das suas guitarras distorcidas, linhas de voz encharcadas de reverb e melodias lindas, vai amar o álbum de estreia da Kelsey Reckling.

Favoritas: “Small Man”, “Wanted”, “Head Hole”


Spencer Radcliffe & Everyone Else – If I Knew How
(n/a)
Illinois, EUA l indie folk, indie rock
Para fãs de: Akron/Family, Jim O’ Rourke

Gravado logo após as sessões de Enjoy The Great Outdoors, Spencer Radcliffe põe a Everyone Else para acompanhá-lo em novas versões de seis músicas de lançamentos anteriores, e o resultado é surpreendentemente bom. A proposta pode te deixar de pé atrás, mas tudo se justifica quando a antes desajeitada “Pasture” (do EP Keeper) começa a tocar e parece finalmente completa. Uma ótima porta de entrada para quem ainda não o conhece.

Favoritas: “Brown Horse”, “Pasture”, “I Remember”


Swearin’ – Fall into the Sun
(Merge Records)
Pensilvânia, EUA l indie rock
Para fãs de: Weezer, All Dogs

Foram precisos dois anos e muita lavação de roupa suja (escancarada nas letras de Tourist in this Town, álbum solo da Allison Crutchfield) para o Swearin’ fazer as pazes. “We are both older now/But you still let the music determine how you feel any given night”, Allison canta sobre acordes dignos do Blue Album nos primeiros versos de “Big Change”, que abre a sequência de riffs e refrãos perfeitos do novo álbum. Felizmente tudo continua o mesmo.

Favoritas: “Big Change”, “Grow into a Ghost”, “Untitled (LA)”


Boom Boom Kid – El disco del Verano
(Ugly Records)
Buenos Aires, Argentina l melodic hardcore, pop punk
Para fãs de: Fun People, Descendents

Carlos “Nekro” Rodríguez. Sob sua presença, Zeus sentiu-se perplexo. Leis universais, desafiadas. Até mesmo a ciência parecia aquém e desolada. Hardcore melódico, salsa romântica ou rockabilly não dão conta de tudo o que o Boom Boom Kid faz. Uma coisa é certa, a gravidade não se aplica a ele.

Favoritas: “Que Clase de Joda es Esa?”, “Cuando Se Alinien los Planetas”, “Dulce de Leche”


Sleep – The Sciences
(Third Man Records)
Califórnia, EUA l stoner metal
Para fãs de: Black Sabbath, Saint Vitus

O Sleep nunca teve pressa para compor ou lançar material, mas alguém apostava que uma nova obra-prima do trio de San José viria à luz do dia? Uma década completa desde o início da reunião, no dia 20 de abril (4/20, pois é), a banda acordou do banzo e passou o fino — nominalmente, seis pregações sobre atravessar o espaço numa nave fumacenta e os valores disseminados pelo Black Sabbath. Al Cisneros é o grão mestre varonil.

Favoritas: “The Botanist”, “Marijuanaut’s Theme”, “Giza Butler”


Noname – Room 25
(n/a)
Illinois, EUA l jazz rap, neo-soul
Para fãs de: Lauryn Hill, lo-fi hip hop beats to relax/study to

Room 25 é um sopro de ar fresco numa paisagem sonora dominada por hi-hats de 808. A melhor trilha sonora pra sair de bike num dia de verão em busca da sorveteria mais próxima, e, ao mesmo tempo, ser educado pela Fatimah, ou ainda, “no name”: “No name for private corporations to send emails to/‘Cause when we walk into heaven/Nobody’s name gon’ exist”.

Favoritas: “Self”, “Blaxpoitation”, “no name”


Voivod – The Wake
(Century Media)
Quebec, Canadá l progressive metal
Para fãs de: Die Kreuzen, Cardiacs

Os últimos lançamentos já apontavam que a fase simplificada dos últimos vinte anos estava chegando ao fim, mas o Voivod finalmente voltou a soar como si mesmo. O título The Wake não poderia ser mais adequado para um disco que soa old school e ainda moderno. O craque da partida aqui é o guitarrista Chewy, substituto perfeito para o saudoso Denis “Piggy” D’Amour. O melhor álbum desde The Outer Limits.

Favoritas: “Obsolete Beings”, “Orb Confusion”, “Always Moving”


Snail Mail – Lush
(Matador)
Maryland, EUA l indie rock, jangle pop
Para fãs de: Japanese Breakfast, Courtney Barnett

As linhas de voz da Lindsey Jordan oscilam entre o total deadpan, o melancólico e o angustiante. A maneira de cantar é parte das características que fazem de Lush imperfeito e cativante, um equivalente sonoro a um filme coming-of-age. Entre as falhas, ela esbanja criatividade na guitarra em canções como “Heat Wave” e “Let’s Find an Out”. Soa como uma viagem de ida e volta para casa, com o tema de “Intro” reprisando na derradeira “Anytime”.

Favoritas: “Heat Wave”, “Stick”, “Let’s Find an Out”


Peach Kelli Pop – Gentle Leader
(Mint Records)
Califórnia, EUA l twee pop, garage rock
Para fãs de: Shōnen Knife, Redd Kross

É verdade que o Peach Kelli Pop parece, em boa parte do tempo, como uma versão anfetaminada do Shōnen Knife. Mas o que há de errado em espasmos frenéticos de dois minutos sobre magia negra, gatos assombrados e Arquivo X? A Allie Hanlon já pode adotar Sailor Ramone como apelido.

Favoritas: “Black Cat 13”, “Black Magic”, “Hello Kitty Knife”


Flageladör – Predileção pelo Macabro
(Hellprod)
Rio de Janeiro, Brasil l speed metal
Para fãs de: Hellhammer, Venom

O que esperar de uma cidadezinha provinciana como Niterói, enfraquecida pelos altos índices de consumo de Gudang Garam e berço do neonazismo no Rio de Janeiro. Felizmente, a única instituição local que traz alegrias ao mundo, o Flageladör, retornou declarando morte ao fascismo e a predileção pela máxima voltagem. Saiu em K7, CD e digital. Na dúvida, compre todos.

Favoritas: “M.A.F.”, “Terror Pós-Atômico”, “Nas Minhas Veias Corre Fogo”


Firewalker – ALIVE
(Pop Wig Records)
Massachusetts, EUA l hardcore
Para fãs de: New York City Hardcore – The Way It Is

Caso raro de banda que sobrevive às constantes mudanças de formação e volta ainda melhor, o Firewalker soltou essa fita cassete de três músicas como aperitivo para o próximo disco cheio. Agora, elas contam com Nate Pastfall, baterista à altura da mistura de hardcore brutal, death metal e letras inflamadas que fazem.

Favoritas: “Role Model”, “Out of Time”


Hitsujibungaku – Wakamono tachi he
(Felicity)
Tóquio, Japão l indie rock
Para fãs de: Spangle call Lilli line, Siamese Cats

Há muito tempo um disco de estreia vindo da cena indie japonesa não me impressionava tanto. Parte Mass of the Fermenting Dregs, parte os lamentos do Spangle call Lilli line, Hitsujibungaku cria atmosferas românticas e sensíveis, com aqueles riffs de guitarra que dão vontade de roubar. Lindo é pouco.

Favoritas: “Ending”, “Tengoku”, “Drama”


MAGIM – Ignis
(Meia-Vida)
Paraná, Brasil l punk
Para fãs de: Blank Spell, Nandas

Saiu no início do ano, junto a uma leva de lançamentos do selo curitibano Meia-Vida, e não consigo parar de ouvir. Nos primeiros minutos, algum desavisado pode até achar que se trata do novo disco do Sadist ou do L.O.T.I.O.N., o que não é mau sinal. Até entrarem os vocais desesperados da Aline Vieira (também do Flores Feias). Pesado, denso e rápido.

Favoritas: “IGNIS (ab igne ignem)”, “Discronia”


Gabby’s World – Beast on Beast
(Yellow K Records)
Nova Iorque, EUA l indie rock, dream pop
Para fãs de: Frankie Cosmos, Adult Mom

Parei de acompanhar a Gabrielle Smith antes das várias mudanças de nome, quando ainda se chamava Eskimeaux. Ouvir Beast on Beast foi como reencontrar um amigo. Quem se fascinou com O.K. em 2015 vai encontrar aqui uma versão polida e com arranjos mais trabalhados, com direito a tecladinhos à la Weezer.

Favoritas: “Rear View”, “Beast on Beast”, Eyes for You”


Big Bite – Big Bite
(Pop Wig Records)
Washington, EUA l indie rock, shoegaze
Para fãs de: Title Fight, DIIV

Pelo DIIV entre as recomendações, a gente já sabe a fórmula: primeiro entra aquela bateria meio motorik beat, depois aquela guitarrinha de mão leve, nada de distorção, que aqui não é para ter mosh. Para terminar, vem o vocal meio sussurrado, seguido por um mar de reverb. A diferença é que o Big Bite tem raízes no hardcore e não economiza força-bruta. Um disco para ouvir alto.

Favoritas: “Fire Rising”, “Relentless Healing”, “Faith”


Vanity – Evening Reception
(Beach Impediment Records)
Nova Iorque, EUA l garage rock
Para fãs de: Royal Trux, Rolling Stones

Formado como um projeto Oi! por Evan Radigan, o Vanity deu uma guinada sônica com a entrada de integrantes egressos do JJ Doll, Pox e NYC Headhunters. A nova versão do grupo parece o New York Dolls filtrado pelo rock alternativo americano oitentista, algo como um Royal Trux querendo competir com a velocidade dos discos de hardcore. Indicado para quem não tem medo de guitarras.

Favoritas: “It’s That Way For A Reason”, “If You Must”, “You Can’t Have Both”


Super Natural Psycho – Rendezvous With the Sun
(Noah NY)
Nova Iorque, EUA l psych, jam band
Para fãs de: Sonic Youth, Can

O nome entrega as influências psicodélicas da banda, que acho criminosamente ignorada. Rendezvous With the Sun é música de estrada, uma coleção de mantras cósmicos e etéreos formando camadas de sons que entorpecem. Parte do tracklist já era conhecido das gravações ao vivo e sessões caseiras lançadas recentemente. Música pra ver a tarde cair.

Favoritas: “Alice Comes Around”, “Black Cherry Mourning”, “E.G.O.”


Subversive Rite – 3 Tracks Cassette
(n/a)
hardcore, d-beat
Para fãs de: Sacrilege, Vice Squad

Faz pouco mais de um ano que descobri, numa edição da Maximum Rocknroll, a coletânea The Demos do Subversive Rite, lançada pela Bloody Master Records. Praticamente não consigo ouvir outra coisa desde então. Virou uma obsessão. O mesmo selo botou na praça essa fitinha como aperitivo para a estreia oficial no ano que vem. Marque na agenda.

Favoritas: “Lies”, “I Don’t Believe”, “ System’s Child”


Brigid Mae Power – The Two Worlds
(Tompkins Square)
Galway, Irlanda l psych folk
Para fãs de: Meg Baird, Sharon Van Etten

Enquanto a maioria dos compositores fala do coração com analogias parnasianas, Brigid Mae Power disseca os conflitos de um relacionamento e experiências de abuso de maneira franca. Em contraponto, o instrumental rico em elementos irlandeses é bastante atmosférico, quase etéreo. Um dos discos mais bonitos e melancólicos do ano.

Favoritas: “I’m Grateful”, “Don’t Shut Me Up (Politely)”, “Is My Presence in the Room Enough For You?”


Garcia Peoples – Cosmic Cash
(Beyond Beyond Is Beyond Records)
Nova Jérsei, EUA l jam band, psych
Para fãs de: Grateful Dead, Chris Forsyth and the Solar Motel Band

Se existe uma banda que parece provocar impulsos homicidas, essa é o Grateful Dead. A visão daqueles tiozinhos cantando para multidões de hippies de isqueiro na mão faz a maioria regressar a um estágio primitivo. No entanto, o legado deles têm sido reavaliado e uma infinidade de novos grupos surgiu prestando homenagem ao Jerry Garcia. O Garcia Peoples é uma das melhores.

Favoritas: “World’s Illusion”, “Suite: Cashing Out / Sigh of Relief / The Midnight Dancer / All the Time / Distant Lands”, “Show Your Troubles Out”


Chapel of Disease – …And as We Have Seen the Storm, We Have Embraced the Eye
(Ván Records)
Renânia do Norte-Vestefália, Alemanha l death metal, progressive metal
Para fãs de: Tribulation, The Chasm

Um aspecto que impressiona no novo álbum do Chapel of Disease é a qualidade quase cinematográfica dos arranjos. Tem aquelas características de banda que começa a flertar com o prog: uma ambição enorme e uma vontade juvenil de dizer muito. É tão fluido que parece fácil. Atmospheric post-southern rock death metal? Fica até difícil classificar, mas certamente um dos discos de metal mais aventureiros e inspirados do ano.

Favoritas: “Void of Words”, “Oblivious / Obnoxious / Defiant”, “Song of the Gods”


Natalie Prass – The Future and the Past
(ATO Records)
Virgínia, EUA l sophisti-pop, R&B
Para fãs de: Blood Orange, city pop

Todo cantor incensado pela Pitchfork é um kamikaze confessional, dá para conhecer toda sua vida lendo suas letras. Já Natalie Prass sempre foi uma ourives, atrás daquela melodia perfeita. Talvez por isso um disco de pops perfeitos como The Future and the Past tenha passado despercebido pelas listas de final de ano. Cada faixa conta com pequenos detalhes, tecendo tramas sofisticadas mesmo em músicas assobiáveis, que parecem mais simples do que realmente são.

Favoritas: “Hot For the Mountain”, “Short Style Court”, “Lost”


Serqet – Oleander
(Vinyl Conflict Records)
Virgínia, EUA l goth rock, post-punk
Para fãs de: Nico, The Cure

Quando você estiver cheio de problemas, com a vida bagunçada, mergulhado na melancolia e totalmente desorientado, lembre-se: poderia estar pior. Você poderia ser gótico. Mas, ter a certeza que o Serqet vai lançar todo ano mais hinos da desesperança post-punk, pode tornar a vida menos lúgubre e trágica.

Favoritas: “Oleander”, “Lullaby”


Exotica – Musique Exotíque #03
(La Vida Es Un Mus)
Nova Iorque, EUA l hardcore
Para fãs de: Terveet Kädet, Olho Seco

Chegou mais um disco do Exotica. Este Musique Exotíque é o terceiro. Três EPs de punk tosco campeão. Dizer que o Exotica bebe no hardcore finlandês e brasileiro clássico é sacanagem. Eles são a coletânea SUB encarnada em uma banda. É simples? É. É a mesma coisa de sempre? Também. Então, porque ninguém faz melhor?

Favoritas: “Control”, “Desesperación”, “Mundo Sin Fin”


MIRAGE –「BURIAL」
(LORELEI ENTERTAINMENT GROUP)
Osaka, Japão l visual rock
Para fãs de: La’Mule, Sleep My Dear

Não há fã de visual kei que não tenha uma história maluca preferida sobre o Kisaki. O sujeito é aquele tipo de músico genial e controverso, na praia de Yoshiki e Mana. Nunca fez tanto sucesso comercial quanto esses, mas, em matéria de maluquice, está disputando o pódio. As trapalhadas e a ganância quase mataram sua carreira diversas vezes. Ainda assim, consegue sempre se safar e dessa vez trouxe sua melhor banda de volta do limbo. Lendas não morrem.

Favoritas: “…AIR”, “Hyakka Ryōran”


PYNKIE – neoteny
(Gnar Tapes)
Nova Jérsei, EUA l dream pop, twee pop
Para fãs de: Japanese Breakfast, Frankie Cosmos

Lindsey Rae Radice é uma enfermeira de Nova Jérsei e faz música solar, animada, um lo-fi de pegada pop, meio Ween, meio slacker. Já falamos sobre o quanto adoramos essa fitinha desde a primeira edição do disco #1, obrigatório que aparecesse por aqui também.

Favoritas: Shrinking Violet”, “Dew ♥”, “ballad”


Alles Club – Décollage
(Pug Records)
Minas Gerais, Brasil l shoegaze, post-rock
Para fãs de: Slowdive, Stereolab

A Alles Club já havia lançado a ótima “Quanto Tempo” como single no início de 2018, acompanhada do que provavelmente foi o melhor clipe do ano (a ideia de que alguém iria ao karaokê cantar algo com vocais quase ininteligíveis, tipicamente shoegaze, é brilhante). Regravada para Décollage, a faixa soa exatamente como se uma banda de post-rock tentasse tocar algo do Souvlaki, dando espaço para um dedilhado de ukulele e até mesmo um solo de trumpete no lugar de uma densa camada de guitarras. Já a mais roqueira “Voando”, meu momento favorito, dá o tom do disco: “Não precisa tomar conta de mim/Eu tô bem/Eu sou assim/Extremamente sensível”. Ótima recomendação para viagens longas.

Favoritas: “Quanto Tempo”, “Voando”, “Canção da Volta”


Ichiko Aoba – qp
(Speedstar Int’l)
Quioto, Japão l chamber folk
Para fãs de: Sachiko Kanenobu, Tenniscoats

Tão bom quanto 0 (lançado em 2013), qp é Ichiko Aoba no auge da sua criatividade e proficiência. Um disco produzido e tocado com perfeccionismo, mas que mantém uma sensação leve, quase íntima, como se tivesse sido gravado espontaneamente. Sem lançar mão de grandes arroubos instrumentais, Aoba consegue criar – e sustentar – uma atmosfera envolvente usando apenas a voz, o violão e uma pitada de reverb.

Favoritas: “Tsuki no oka”, “Mizube no yōsei”, “Hitsuji no Anthony”


Clan dos Mortos Cicatriz – Febril
(Meia-Vida)
Curitiba, Brasil l hardcore
Para fãs de: THE STALIN, Tragedy

Dentre os cinco discos do Clan dos Mortos Cicatriz gravados desde o ano passado, o meu lançamento favorito é Febril, uma mistura de hardcore japonês e metal furioso elevado ao máximo da crueza. O EP faz parte da leva de cassetes que a Meia-Vida lançou no início do ano, como Ignis do MAGIM. Dada à experiência de seus integrantes, o Clan tem um som maduro e letras mais consistentes que outras bandas contemporâneas. É lógico que você pode não entender muito do que é berrado em meio ao caos sonoro, mas fique tranquilo: a raiva é um sentimento universal e ultrapassa barreiras.

Favoritas: “A1. Imagem (suor encontra pele)”, “B3. Tempo (pele encontra ferida)”, “A5. Ferida (sangue encontra pus)”


The Spirit of the Beehive – Hypnic Jerks
(Tiny Engines)
Pensilvânia, EUA l psych, shoegaze
Para fãs de: My Bloody Valentine, Palm

Batizado com o mesmo nome da obra-prima do cinema espanhol, o The Spirit of the Beehive vem da Filadélfia e faz um pop psicodélico viajandão com guitarras etéreas, vocais preguiçosos e um clima de fim de semana no campo. Mas aqui não tem só paz e amor: também tem cortes brutos de andamento e camadas de sample formando uma parede densa de sons lisérgicos. Ao vivo parece ser ainda melhor.

Favoritas: “mantra is repeated”, “(without you) in my pocket”, “it’s gonna find you”


Obliteration – Cenotaph Obscure
(Indie Recordings)
Oppegård, Noruega l death metal
Para fãs de: Execration, Autopsy

Quando o assunto é death metal, eu ando na contramão: me incomoda um pouco a exibição técnica exagerada de alguns discos celebrados nos últimos anos. Mas gosto quando esse primor vem aliado ao peso bruto e músicas memoráveis. Cenotaph Obscure é uma joia do macabro. As mudanças de andamentos e riffs são insanos e muito, mas muito marcantes.

Favoritas: “Tumulus of Ancient Bones”, “Detestation Rite”, “Eldritch Summoning”


Ryley Walker – The Lillywhite Sessions
(Dead Oceans)
Illinois, EUA l jazz rock, indie rock
Para fãs de: The Sea and Cake, Jim O’Rourke

Pra começo de conversa: não gosto da Dave Matthews Band. Por isso, The Lillywhite Sessions mais me parece um tributo ao conhecimento enciclopédico sobre rock alternativo de Ryley Walker do que regravações do Roupa Nova americano. Há representações de The Sea and Cake a Jim O’Rourke, passando por Yo La Tengo, Xiu Xiu e Sonic Youth, em um disco brilhantemente confuso. Qualquer entrevista recente dele é leitura obrigatória.

Favoritas: “Busted Stuff”, “Diggin’ a Ditch”, “JTR”


Julia Brown – An Abundance of B-sides and Shit
(n/a)
Maryland, EUA l bedroom pop, indie rock
Para fãs de: Teen Suicide, Coma Cinema

Uma coletânea de demos e b-sides lançada do nada pelo próprio Sam Ray e divulgada só pelo Twitter é, infelizmente, tudo que resta ao Julia Brown, que se desfez há 4 anos. Mas, as “demos” soam tão bem gravadas quanto suas versões finais de lançamentos anteriores, sempre lo-fi, e funcionam mais como versões alternativas (para quem não gosta dos arranjos de An Abundance of Strawberries, um prato cheio). Melodias de voz singelas em duetos acompanhadas daqueles dedilhados que grudam, tudo de novo por mais uma (e talvez última) vez.

Favoritas: “Loved II (Possession)”, “Abby’s Song”, “My Heart Broke Again”  


Marie Davidson – Working Class Woman
(Ninja Tune)
Quebec, Canadá l minimal synth
Para fãs de: Jessy Lanza, Julee Cruise

O disco surgiu e sumiu rapidamente. Ninguém falou muito. Não sei por quê. Acho Working Class Woman o melhor lançamento da Marie Davidson. A faceta yuppie e hedonística da house music é feita de piada pela produtora franco canadense. Em um dos momentos mais marcantes, ela imita uma instrutora de academia sádica: “Tell me, how does that feel?/Is sweat dripping down your balls?/Well then you’re not a winner yet”. Hilário.

Favoritas: “Your Biggest Fan”, “Work It”, “The Tunnel”


Keiji Haino & SUMAC – American Dollar Bill – Keep Looking Sideways, You’re Too Hideous to Look at Face On
(Thrill Jockey)
Saitama, Japão & Washington, EUA l free improv, noise rock
Para fãs de: Fushitsusha, Nazoranai

Sabe aqueles momentos em que você está diante de algo tão sublime que sua cabeça parece explodir e seus pré-conceitos somem de repente? Todo fã de música já viveu esses momentos. Lembro de um: a primeira vez que ouvi a estreia do Fushitsusha, banda do Keiji Haino. Os álbuns de Haino são inclassificáveis, ao ponto que a própria palavra “álbum” parece limitadora. Mas, como referência, American Dollar Bill retoma o lado mais primitivo do próprio Fushitsusha e das parcerias com Stephen O’Malley, Oren Ambarchi e Jim O’Rourke.

Favoritas: “I’m Over 137% A Love Junkie And Still It’s Not Enough Pt. 2”, “American Dollar Bill – Keep Facing Sideways, You’re Too Hideous To Look At Face On”, “What have I Done? (I Was Reeling In Something White and I Became Able to do Anything I Made a Hole Imprisoned Time Within it Created Friction Stopped Listening to Warnings Ceased Fixing my Errors Made the Impossible Possible? Turned Sadness Into Joy) Pt. 1”


Lifeless Dark – Who Will Be The Victims?
(n/a)
Massachusetts, EUA l stenchcore
Para fãs de: Sacrilege, Kuro

Esse EP começa acelerado e não para, com um riff de guitarra mais absurdo e pesado depois do outro. A receita é quase a mesma do Subversive Rite: um cruzamento de punk oitentista com metal que deve muito às primeiras demos do Sacrilege. A diferença é que o Lifeless Dark é mais stenchcore, enquanto o Subversive Rite investe na d-beat. Ambos essenciais

Favoritas: “Outcry”, Radiation Sickness”, “Feeding The Light”


Controlled Death – Symphony for the Black Murder
(Urashima)
Quioto, Japão l death industrial, harsh noise
Para fãs de: Masonna, Space Machine

Para apreciar o Maso Yamazaki é preciso paciência. A música é tão obsessiva que passamos a valorizar não só os sons, mas o silêncio entre os momentos de caos. Por combinar toda os truques na manga do maior rockstar do harsh noise (guitarras carregadas de distorção, synths gélidos, vinhetas climáticas, muitos berros), Symphony for the Black Murder serve de boa introdução para o Masonna e Space Machine.

Favoritas: “Untitled”


Jackie Cohen – Tacoma Night Terror Part 2: Self-Fulfilling Energy
(Spacebomb Records)
Califórnia, EUA l country rock, psych pop
Para fãs de: Dolly Parton, Mutantes

Uma escolha fácil se comparado com sua primeira parte, também lançada em 2018, Self-Fulfilling Energy consegue unir country e rock psicodélico no que poderia ser um lançamento esquecido do final dos anos 60. Ao mesmo tempo, Cohen traz em “Make U Sick” aquele espírito de “The Plan” do Built to Spill, com a mesma progressão simples de dois acordes, mas que o indie rock de 2018 parece ter esquecido como fazer.

Favoritas: “Make U Sick”, “I Hate My Body”


Mia Dyberg Trio – Ticket!
(Clean Feed)
Berlin, Alemanha l free jazz
Para fãs de: Mats Gustafsson, Chris Pitsiokos Unit

Inspirado nos escritos do padrinho da geração beat, William S. Burroughs, a estreia do trio liderado pela saxofonista Mia Dyberg vai agradar os fãs de free jazz cacofônico e esotérico. Guiadas pelo sax frenético de Mia, as improvisações lembram os momentos mais livres do Pharoah Sanders, tão energéticas que beiram o punk.

Favoritas: “Ticket!”, “Mia’s Pulse”, “How Do You Know When You Are Through?”


Miserable – Loverboy / Dog Days
(Sargent House)
Califórnia, EUA l shoegaze, etheral wave
Para fãs de: King Woman, True Widow

Na época em que o King Woman surgiu, as reportagens sobre a banda a colocavam na mesma cena de Whirr e Nothing. E fazia sentido. Os sons tinham muito daquela microfonia e climas etéreos típicos do shoegaze. No entanto, foi só com o Miserable que a Kristina Esfandiari limpou a sujeira doom metal e fez um disco quase puramente “shoegazer”. Indicado para iniciados.

Favoritas: “Gasoline”, “Kiss”, “Loverboy”


Dyke Drama – Hard New Pills
(Salinas Records)
Washington, EUA l power pop
Para fãs de: Paul Westerberg, RVIVR

Dyke Drama, projeto solo de Sadie Switchblade (ex-G.L.O.S.S.), tem outros dois discos lançados pela Salinas Records, Tender Resignation e Up Against the Bricks. Ouça os dois. É uma ordem. Deveriam ser obrigatórios, como vacinas. A receita de roques raivosos e confessionais à la Paul Westerberg não é tão bem acabada neste Hard New Pills quanto antes (mesmo a voz de Sadie parece mais rasgada e crua), mas ainda sobram momentos de pura inspiração.

Favoritas: “Song For Barker Gee”, “Goodbye Vancouver”, “Maniac”


Anna von Hausswolff – Dead Magic
(City Slang)
Hovedstaden, Dinamarca l neoclassical darkwave
Para fãs de: Ulver, Swans

Confesso que não sou grande fã do Swans, mas a qualidade das bandas inspiradas pelos discos da reunião deles é espetacular. Dead Magic, de Anna von Hausswolff, é um dos melhores exemplares da safra. A abertura, com “The Truth, the Glow, the Fall” e “The Mysterious Vanishing of Electra”, é de arrepiar, uma explosão de adrenalina e medo.

Favoritas: “The Mysterious Vanishing of Electra”, “Truth, The Glow, The Fall”, “Ugly and Vengeful”


The Goon Sax – We’re Not Talking
(Wichita Recordings)
Brisbane, Austrália l jangle pop, indie pop
Para fãs de: The Libertines, The Field Mice

Certamente a banda australiana mais inglesa que já ouvi, o Goon Sax evoca aquela pretensiosidade britânica com vocais desleixados e letras mundanas, sempre desafiando o equilíbrio entre o bobo e o genuíno. Nos momentos em que a baterista Riley Jones assume a voz, os hinos jovens da banda são mais célebres e bem resolvidos, quase irresistíveis.

Favoritas: “Strange Love”, “We Can’t Win”,  “A Few Times Too Many”


Lala Lala – The Lamb
(Hardly Art)
Illinois, EUA l indie rock
Para fãs de: Girlpool, Snail Mail

Ano passado, um estranho arrombou a janela de Lillie West enquanto ela dormia e levou embora tudo o que havia no apartamento. O assalto aconteceu na mesma época da morte de um amigo próximo e seus primeiros passos para a sobriedade. Com um pé no lo-fi de quarto, não há tragédias ou grandes revelações nas músicas de The Lamb. São polaróides do dia a dia de pessoas comuns como Lillie: falíveis, imperfeitas e imprevisíveis.

Favoritas: “Destroyer”, “Water Over Sex”, “Copycat”


Jennifer Castle – Angels of Death
(Paradise of Bachelors)
Ontario, Canadá l alt-country
Para fãs de: Itasca, Julie Byrne

No meu ranking pessoal de gêneros mais soporíferos, o country disputa o alto do pódio com o metal sinfônico e o blues de shopping em geral. Prefiro assistir à TV Senado a ouvir boa parte das indicações do Aquarium Drunkard. Mas também nunca torci contra, o que faz o terceiro álbum da canadense Jennifer Castle uma surpresa agradável.

Favoritas: “Tonight the Evening”, “Tomorrow’s Mourning”, “Crying Shame”


Mayuko Hino – Lunisolar
(Cold Spring)
Tóquio, Japão l harsh noise
Para fãs de: C.C.C.C., Incapacitants

Sob risco de parecer um mala, tenho de dizer que ninguém jamais fez ruído puro como os japoneses dos anos 80. O tumulto causado pelo Hijōkaidan abriu as porteiras para uma infinidade de moleques criarem seus próprios projetos para fazer o maior barulho possível. Mayuko Hino no seu C.C.C.C. e alguns outros gênios de sua geração, como Incapacitants, Hanatarash e Solmania, mesmo com sua infinidade de lançamentos imperfeitos e castigados por gravações lo-fi, soam transcendentes. Por mais abrasivo que seja o som, ele tem um efeito terapêutico, quase hipnótico. Lunisolar é música de meditação para quem gosta de barulho, se é que pode existir tal coisa.

Favoritas: “Faintainhead”, “Astral Travelling”


Klan Aileen – Milk
(Magniph)
Tóquio, Japão l psych, noise rock
Para fãs de: Katsurei, THE NOVEMBERS

Rock demais para ser experimental, estranho demais para ser punk. O Klan Aileen parece uma banda de garagem dos anos 90 que acordou no meio dos 70 e conheceu o krautrock de Neu!, Ash Ra Tempel, e Agitation Free. Na tentativa de definir o estilo de sua banda, eles cravam: “loud ambient music-like sounds mixed with noise, thoughtful and meditative pop songs”.

Favoritas: “Datsugoku”, “Shinpai-sei”, “Ryūhyō”


Missing Earth – Gold, Flour and Salt
(Salinas Records)
Pensilvânia, EUA l psych, indie rock
Para fãs de: Swearin’, Yowler

Na verdade, o Missing Earth é um projeto de um sujeito só, Kyle Gilbride, o doido do Swearin’ que aqui escreve todas as músicas e toca quase todos os instrumentos. O som é uma mistura de rock esparso, fritações, ambient, pedais de fuzz e slowcore. Não há barreiras. Tem até uma pitada de Pavement — em versão sludge.

Favoritas: “Galaxy”, “Parliament of Trees”, “Holy Death”


Tony Molina – Kill the Lights
(Slumberland Records)
Califórnia, EUA l folk rock, power pop
Para fãs de: The Byrds, Teenage Fanclub

Sobre Tony Molina, não tem muito o que dizer. Poderíamos teorizar por anos sobre sua capacidade sobrenatural de síntese. Quantos moleques não dariam dois braços para escrever hinos tão simples e ainda marcantes como os dele? Dizer muito com pouco. Exprimir décadas de vocabulário power pop e indie rock em músicas de dois minutos. O cara é demais.

Favoritas: “Wrong Town”, “Give He Take You”, “Nothing I Can Say”


the pillows – FooL on CooL generation
(Toho Records)
Hokkaido, Japão l indie rock, power pop
Para fãs de: Weezer, NUMBER GIRL

Aí vai uma dica para os feriados de fim de ano: assistir a série original de FLCL (Fooly Cooly entre os gringos). O the pillows foi a banda responsável pela trilha-sonora e preparou agora um álbum de regravações para acompanhar o reboot do anime. A coletânea marca a volta à boa forma de uma banda incomum, depois de um bom tempo fazendo discos abaixo da média.

Favoritas: “LAST DINOSAUR”, “I think I can”, “LITTLE BUSTERS”


Jun Togawa avec Kei Ookubo – Jun Togawa avec Kei Ookubo
(réveil)
Tóquio, Japão l art pop
Para fãs de: Guernica, Sadistic Mika Band

Togawa deixou de lado a confusão e barulho das parcerias recentes com Hijōkaidan e Vampilia e fez um disco acústico, acompanhado por Kei Ookubo do Urbangarde. Tem pianos e toda a loucura que se espera de algo com o nome dela na capa, mesmo nesse formato despojado. Para quem é rigorosa até mesmo com a circulação de fotos atuais, uma gravação tão crua e visceral chega a ser surpreendente.

Favoritas: “Sayonara wo oshiete”, “Virgin Blues”, “Teinen Pushiganga”

disco #1 – ep. 3: jovens (emo)cionais

ep3

No terceiro episódio do disco #1, Victor Damazio (Sereno, the breakup suite) e Júlia Matos (planetária) batem um papo sobre emo e pop punk, dois gêneros que acompanharam suas juventudes e tradicionalmente estão sempre relacionados. Também no centro da discussão estão os movimentos do emo mainstream dos anos 2000 e o emo revival do início da década atual, considerando os dois como marcos importantes para entender as bandas citadas. Lápis de olho, causos da adolescência, corações partidos: tudo isso em quatro músicas. Ouve aí! (ou faça o download)

tracklist:

Everyone Asked About You – Crazy
Modern Baseball – Apartment
Mineral – If I Could
All Time Low – Jasey Rae

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